Quando falamos em doenças crônicas como obesidade, diabetes, gordura no fígado (esteatose hepática associada à disfunção metabólica: MASH) e deficiência do hormônio do crescimento (DGH), é importante lembrar: o tratamento não se resume ao uso de medicamentos1.
A ciência mostra que os melhores resultados acontecem quando o cuidado é multidisciplinar, integrando alimentação, atividade física e saúde mental.1,2,3
Essa abordagem não apenas melhora exames e indicadores clínicos, mas também promove algo essencial: qualidade de vida de forma sustentável4.
Diretrizes clínicas e estudos científicos reforçam que mudanças no estilo de vida são parte central do tratamento dessas condições1,2,3. No caso das doenças metabólicas do fígado, como a MASH, intervenções alimentares combinadas com mudanças no dia a dia reduziram significativamente a gordura no fígado e a inflamação2. Perdas de peso mantidas entre 5% e 10% já demonstraram melhora do estresse hepático e da fibrose em diversos estudos recentes2.
Em obesidade e diabetes, abordagens que unem orientação nutricional, mudanças comportamentais e acompanhamento contínuo geram maior perda de peso e melhor controle metabólico quando comparadas a cuidados isolados1,2,3. Pacientes com gordura no fígado (esteatose hepática) acompanhados por equipes multidisciplinares tendem a apresentar maior adesão às mudanças de estilo de vida, com impacto mais consistente na perda de peso e na melhora de marcadores metabólicos3,4.
Alimentação: informação para o corpo
A alimentação influencia diretamente a resistência à insulina, o acúmulo de gordura abdominal e a inflamação crônica - fatores centrais na obesidade e no diabetes1,2. Por isso, diretrizes atuais priorizam padrões alimentares equilibrados, como dietas no estilo mediterrâneo, em vez do consumo frequente de alimentos ultraprocessados, com evidências de melhora da sensibilidade à insulina e redução da gordura no fígado2.
Atividade física: benefícios que vão além do peso
A prática regular de exercícios melhora o controle glicêmico, reduz gordura no fígado e aumenta a sensibilidade à insulina, mesmo quando a perda de peso não é expressiva1,2. Estudos populacionais também associam maior nível de atividade física a menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 25.
Saúde mental: base para a continuidade
Aspectos emocionais influenciam diretamente a continuidade do tratamento1,4. Estresse crônico, alterações de humor e dificuldades comportamentais estão associados a escolhas menos saudáveis e menor engajamento em atividade física, prejudicando os resultados1.
O papel da equipe multidisciplinar
Programas que integram médicos, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos apresentam melhores resultados clínicos e maior sucesso na manutenção das mudanças de estilo de vida, sendo mais eficazes do que intervenções isoladas2,3. Além disso, a adesão ao tratamento medicamentoso de forma contínua, conforme orientação médica, associada ao acompanhamento multidisciplinar, é um componente essencial para melhorar o controle da doença e manter os resultados ao longo do tempo1,3.
Referências
1AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Diabetes Care. 2025; 48(Suppl 1). doi: 10.2337/dc25-SINT
2EASL; EASD; EASO. Journal of Hepatology. 2024; 81(3): 492–542. doi: 10.1016/j.jhep.2024.04.031
3GARVEY, W. T. et al. Endocrine Practice. 2016; 22(Suppl 3): 1–203. doi: 10.4158/EP161365.GL
4LOOK AHEAD RESEARCH GROUP; WING, R. R. Archives of Internal Medicine. 2010; 170(17): 1566–1575. doi: 10.1001/archinternmed.2010.334
5DELEVATTI, R.; LEONEL, L. D. S.; FRANZONI, L. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025; 122(8): e20250464. doi: 10.36660/abc.20250464